MUROS VISCERAIS

A série Muros Viscerais, fazem referência aos muros, tanto das edificações das cidades com formas, cores e intervenções, quanto os construídos ao longo da
vida,  na mente das pessoas.
Os muros formam construções que delimitam o espaço, cercam, agrupam e separam pessoas, comunicam sobre quais são os limites, épocas e estilos, criam identidades, adornam e são adornados por tintas, graffitis, pichações, danificações. Muros que cercam a cidade, que nos cercam e até fazem parte da concepção de nós mesmos, alterando aquilo que devemos ou não ver, arquitetando uma cultura a partir dos paredões.
Concomitantemente há outros muros, os que são incorporados em nossas vidas e que aprendemos a construir e destruir. Na infância não temos contato ou consciência dos muros, mas a partir da adolescência, os muros se tornam presentes e são alterados constantemente, oras nos inserindo, oras nos protegendo da sociedade.
Quantos muros vemos, observamos, incorporamos e até construímos ao longo da vida e somos depois encurralados com a morte? Este é o questionamento posto em cena por Charles Oak em sete portraits compostos por figuras masculinas, femininas, andróginas, parecendo estar em janelas midiatizadas observando (e sendo observadas) e uma obra central que revela que os muros transcendem as questões do tempo, sendo constantemente montados até a inevitável muralha da morte.
A exposição segue a crescente tendência das contemporary portraits, realizadas em linguagem street com tinta acrílica, spray e muitas texturas que lembram paredes, com uma estética que mistura figura e fundo, mesclando muros arquitetônicos e psicológicos, apresentadas com uma paleta de cores própria que tem se tornado a grande
característica do artista.

Exposição: Muros Viscerais
Galeria Cultura Iguatemi - Brg. Faria Lima, 2232 - Jardim Europa - SP
Curadoria: Daniela Delgado