ORGULHO

O ato de sentir orgulho de alguém consiste em um exercício de observação da história do outro sob o ponto de vista do que há de mais positivo em suas conquistas. Às vezes é preciso colocar-se no lugar da pessoa admirada para tentar entender a complexidade e até as dificuldades de alguns caminhos percorridos, em outras, requer um distanciamento de si mesmo para preencher a mente com a grandiosidade alheia.

Para o orgulho tomar conta da alma é preciso retirar o véu enevoado que encobre a visão para notar o quão bela é a biografia do outro, perceber que a cada passo dado, cada caminho percorrido, cada conquista alcançada há sempre a evolução da própria pessoa ou até mesmo de toda a sociedade.

Em Orgulho, Charles Oak pratica o ato de se colocar na pele de notórios seres humanos que romperam com a inacreditável e ainda existente barreira do mundo ocidentalizado que é a da cor da pele, fazendo questão de exacerbar o orgulho que sente dos afrodescendentes do Brasil, por ser também parte dessa miscelânea genética.

Ao mesmo tempo em que reverencia cada um deles com suas telas, apresenta um Charles Oak diferente, mais contido, respeitoso para com aqueles que considera exemplos por serem profissionais exímios e que ganharam notoriedade em suas áreas de atuação, exibindo pessoas que aprecia há tempos, pelos mais variados motivos.

Oak não se permitiu exagerar ou fazer caricaturas das pessoas retratadas, buscou se aproximar mais de um realismo, assim como não trouxe um exagero na cor ou no jogo de texturas, pois queria simplesmente enaltecer a magnitude de cada uma delas, colocando em cena cores mais delicadas do que habitualmente utiliza em sua paleta.

E como quem pretende purgar a visão turva de quem não consegue perceber a nobreza de cada uma das personalidades expostas, o artista faz recortes que ressaltam a diferença de tons e cores como se estivesse limpando a própria tela para que cada uma das pessoas retratadas fique mais evidenciada.

Assim Charles Oak traz o orgulho de representar essas figuras exemplares e seu próprio orgulho de conhecer um pouco mais da história pessoal de cada um desses grandes ser humanos a quem o Brasil deve sempre se orgulhar.

Exposição: Orgulho
Matilha Cultural - Rêgo Freitas, 542 - República - SP
Curadoria: Daniela Delgado