ZEITGEIST



A escolha da politomia na composição das portraits de Charles Oak ilustra a pluralidade do mundo de hoje e que nos leva a perceber que o zeitgeist na contemporaneidade é complexo, multifacetado e passa por escolhas individuais pautadas no hedonismo e na orientação estética.
A expressão zeitgeist é descrita desde o século XVIII, por pensadores alemães, com destaque para Johan Gottfried von Herder, como a somatória de fatores sociais, culturais e intelectuais (zeit: tempo; geist: espírito), refletindo portanto a atmosfera de cada época. Ao longo dos anos a expressão é retomada e reformulada, passando por ideias mais lineares e totalitárias em Hegel e de confusão e variações em Hoesterey quando descreve que hoje não há mais um único clima cultural, mas uma torre de Babel, sendo este o novo espírito do tempo.
Partindo desta suposta miscelânea cultural, Charles Oak apresenta rostos com cores alucinantes e polarizadas, na construção de seu entendimento sobre a atualidade, enfatizando que, apesar do individualismo latente e aparente confusão, o que nos move hoje é a busca pelo prazer, já que vivemos uma ordem sociocultural constituída pela liberdade de escolha, marcada pelo narcisismo e o hedonismo.

Inúmeros poderiam ser os caminhos de Charles Oak para mostrar sua concepção sobre o zeitgeist, porém ele não se coloca como um espectador ou um crítico, se abstendo deste modo de elucidar seu pensamento, pelo contrário, exalta a sua pertença à realidade hedonista e coloca em cena seus próprios desejos, resultando em obras sedutoras, mesclando mulheres com alusões a partes dos automóveis da Audi, este de maneira mais abstrata, reforçando a conexão existente em seu imaginário entre pessoas e carros.
Charles Oak capta em sua criação o espírito do tempo, mostrando como o prazer nos leva ao apreço pelos objetos que nos cercam, podendo até nos construir por meio deles, por isso a fusão de rostos femininos com grades automotivas assimétricas e em movimento, faróis de carros, luzes e retrovisores. Outro aspecto importante são as cores que nos remetem de imediato ao pulsar da vida agitada e desejosa.

Assim pessoas, objetos, figura e fundo têm seu papel e significado relevante na formação da estrutura da obra, exibindo um mundo estetizado na atual conjunção inseparável do humano com a máquina, expondo uma análise profunda da importância dada àquilo que temos como modelador daquilo que somos e representamos na sociedade. Este é o espírito revelador do nosso tempo.
Espírito este ressaltado na união da arte de Charles Oak com a marca Audi em um lounge sensorial, traduzindo exatamente a atmosfera que vivemos hoje, nosso zeitgeist, e que o filósofo Gilles Lipovetsky designa como “cultura-mundo” com a quebra das barreiras entre arte e marca, cuja união resulta em experiência cultural e consequente prazer intelectual a quem permite deleitar-se deste universo.

Exposição: Zeitgeist
Audi Lounge - Oscar Freire, 565 - Jardins - SP
Curadoria: Daniela Delgado